Parte 3
Mulher do Século XX

 

Aquela escola, em Higienópolis, vivia nesse período as agitações políticas e culturais que marcaram os anos 60. Embora o centro das movimentações estudantis estivesse do outro lado da rua Maria Antônia, na Faculdade de Filosofia da USP, a Arquitetura do Mackenzie tinha também uma participação ativa, principalmente nas vanguardas estéticas de arquitetura e design, que então desabrochavam. Ali nossa artista, ainda muito envolvida com uma vida econômica modesta e as eternas tarefas domésticas, não chegou a ter uma atuação direta; mas teve o contato inspirador da arte contemporânea.

 

Nesse contato, Cecília Suzuki adquiriu os elementos para afirmar-se como fruto do final do século XX e da passagem do milênio, convivendo com um segmento da população extremamente bem preparado, cultural e tecnicamente. Isso lhe permitiria ser uma artista de seu tempo e de seu meio, e a lançaria à frente com o desafio de procurar uma expressão exclusivamente sua, dentro de um projeto original.

 

A recém-formada arquiteta não chegou de imediato a exercer sua profissão. No mesmo ano em que se formou, casou-se com o médico oftalmologista Hisashi Suzuki, também professor de Oftalmologia na Pinheiros, a escola de Medicina da USP. Dele, Cecília ganhou o sobrenome e, já enquanto namorada, desde 1965, os primeiros e interessados contatos com a ciência dos olhos.

 

Entretanto, Cecília firmou com Hisashi um compromisso de honra para os primeiros dez anos de casamento: comprometeu-se a ter filhos e a cuidar deles, sem se dedicar aos seus próprios interesses, nem profissionais nem estéticos. Três crianças nasceram nessa fase: Cássia Regina em 1969, Ricardo em 1971, Luís Cláudio em 1974.

 

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Texto retirado do livro "Cecília Suzuki - Litografias", publicação da Allergan e Estúdio Z no Outono de 2001.